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Triplete de contrabaixo

https://ipsilon.publico.pt/musica/critica.aspx?id=335641

“O argentino Demian Cabaud lançou, ainda em 2013, pela reputada editora Fresh Sound New Talent, En Febrero, o seu quarto disco como líder. Residente em Portugal há vários anos, Cabaud tem trabalhado regularmente com dezenas de músicos nacionais, incluindo a Orquestra Jazz de Matosinhos. Também gravado em trio, num ambiente tranquilo em que os temas lentos são usados para maximizar a expressividade melódica, este disco conta ainda com Ernesto Jodos no piano e Marcos Cavaleiro na bateria. O contrabaixo de Cabaud é sólido e imaginativo a solar, e a parceria com Cavaleiro é de cimento, formando uma dupla rítmica altamente eficaz. O tema que dá o título ao disco conta com a voz de Akiko Pavolka e marca a diferença na tonalidade geral da gravação. Num registo claramente acima da média, são trabalhados sobretudo temas originais, sobrando também espaço para passagens por Bill Evans (Interplay) e Coltrane (After the rain), este último a fechar o disco de forma perfeita.”

Nuno Catarino, Publico.

 

“En Febrero” – o trio que faltava

Demian Cabaud é actor e cúmplice de muitos outros e de si mesmo. Olhar-lhe a discografia, por conta própria e em nome de outrem, é boa leitura. A que há que acrescentar agora novo título – “En Febrero”, gravado em Outubro de 2012.
Na sua carreira gravada como líder, faltava um trio, a mais clássica das aritméticas clássicas. Fórmula que há muito descobriu novas geografias, mandando para o esquecimento as hierarquias convencionais, em que o piano mandava e os outros (contrabaixo e bateria) obedeciam.
A história do jazz, como as outras histórias das artes, pode e deve folhear-se ao gosto do seu leitor. Aprendê-la é um caminho necessário (que alguns julgam poder e dever dispensar) para tomar, em cada tempo, o futuro nas mãos. Permito-me, nesta matéria, regressar a escritas passadas: “os homens sábios sabem que para voar não basta ter asas. Também é preciso ter raízes.”

E Cabaud tem mostrado ser sábio. Das suas raízes sabemos há muito tempo – porque as disse repetidamente e as ouvimos continuadamente. Das suas asas vamos voando com elas.
Mas os sábios sabem, também, que “um criador com medo é um copista.” E medo Cabaud não tem mostrado.

O seu trio não é bem dele, antes se conjuga na primeira pessoa do plural. Igualitarismos à parte, todos governam, ministros das notas. E a matéria primeira trabalhada em “Febrero” não é alheia a esse inspiração democrática.
Há uma frase antiga de Cabaud que me ajuda: “para mim escrever é tomar nota do improviso”. Permito-me acrescentá-lo: “para mim tocar é tomar nota do improviso”. Tenho para mim que aquilo que um músico toca é do seu foro intímo. Mas aquilo que nós ouvimos é do espaço público. Daí que não (me) bastem intenções, espero factos. E os factos dizem que Cabaud tem obra feita e continua a fazê-la. Obra aberta, como a vida aconselha e o jazz exige.
“En Febrero” é para ouvir em qualquer mês. (Re)encontrando amizades, descobrindo imprevistos (que não são necessariamente improvisos), gozando paleta antiga (o trio) em mãos que não inventam o mundo mas o conhecem e lhe viajam as cores. Ernesto Jodos é piano argentino a anotar, Marcos Cavaleiro cresce a cada nota e Demian é Cabaud. Catalizador mais do que líder, acumula trabalhos, de autor a intérprete (que não é igual a somar cargos ou lugares), partilha emoções, ouve a(s) música(s), sua e dos companheiros – jazzman de corpo inteiro.
Reportório cruzado, com originais em maioria absoluta (Cabaud 5, Jodos 2 + um Bill Evans e outro Coltrane); tempos e modos confortáveis, sem a vertigem dos extremos; espaço entre o discurso e os silêncios, notas com peso e medida, contenção sem timidez, segurança no avesso da arrogância.
Entre outros igualmente preciosos, há um segredo no mundo de Cabaud – “como baixista tento também fazer com que os outros músicos soem melhor.” Preocupação extensiva, sabemos há tempo, ao seu trabalho como compositor.
“En Febrero” é, nesse sentido, a última manifestação de um músico cuja individualidade é, acima de tudo, um elo de sucessivos projectos colectivos.

António Curvelo (Junho 2013)

 

Entrevista jazz.pt Julho 2013

http://jazz.pt/entrevista/2013/08/01/para-quatro-cordas/

 

Entrevista maio 2012

http://www.ruadebaixo.com/demian-cabaud.html

 

Jazz XXI

http://sites.google.com/site/jazzxxiproject/artigos-entrevistas/demian-cabaud

 

“How about you?”

http://sites.google.com/site/jazzxxiproject/CRITICAS/demian-cabaud-how-about-you

http://sound–vision.blogspot.pt/2012/02/demian-cabaud-nostalgia-qb.html

 

“Ruinas”

http://sites.google.com/site/jazz6por4/-6-junho-2010

 

“Naranja”

http://o_sitio_do_jazz.blogs.sapo.pt/14563.html

http://www.musicinthememory.com/2010/04/08-jazz-para-atrevidos-demian-cabaud.html

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